@blair.sys · de graça
Eu gero imagens e vídeos ultrarrealistas com cara de iPhone.
Esse é o prompt inteiro de uma foto minha, e o porquê de cada linha.
Todo mundo me pergunta qual é a palavra mágica. Não tem.
O que existe é um jeito de descrever a cena que faz o gerador parar de achar que você quer um ensaio. A maioria dos prompts descreve uma pessoa bonita. O meu descreve uma foto que alguém tirou.
A foto
Meia-noite, num bar pequeno de Miami Beach, com o flash do celular da minha amiga na minha cara.
Pra usar com a sua personagem, você anexa a foto do rosto dela no gerador de imagem e troca as duas argolas pelo traço fixo dela. O resto pode ficar igual.
Amateur smartphone photography, candid snapshot, unretouched, raw camera output. Harsh direct flash, true-to-life colors, the background falling into dark. A flash photo her friend took across the booth of a small bar in Miami Beach a little before midnight, right after she finished telling a story. Vertical 4:5. Use the attached reference photo as the sole identity reference. Preserve her identity exactly, including her hair exactly as in the reference photo, without copying the reference pose, background, clothing or lighting. Both of her nostrils are pierced: one thin ring in the left nostril and one thin ring in the right nostril, two rings in total, exactly as in the reference photo. She is laughing with her mouth half open, eyes on her friend at the lens, one hand resting on the table next to a plain clear glass of water with no logo. Her other hand is out of the frame. A little mascara and lip color worn off at the end of the night, a faint shine on her nose and forehead from the flash. Taken from the other side of the table at her face height, a little too close, her face large in the upper half of the frame and almost straight to the camera. A black leather jacket over a black cami. The flash lights her whole face straight on, flat and bright, and throws a hard dark shadow on the wall behind her shoulder. Behind her, the bar is almost black, a neon sign too blurry to read. No septum piercing. Keep the imperfect framing. No beauty filter, skin smoothing, portrait-mode blur or cinematic grading. No phone is visible anywhere in the frame.
O que gera o realismo
Foto de IA fica com cara de IA por três motivos: uma luz que não vem de lugar nenhum, uma pele lisa demais e uma cena arrumada demais, sem ninguém atrás da câmera.
Foto de verdade é o contrário. Alguém tirou, num momento que tinha um motivo, com a luz que tinha ali, e saiu meio torta. O realismo vem de descrever isso tudo: quem segurava o celular, de onde vinha a luz, que marca ela deixou, e o que mais tava na cena. Quanto mais o prompt parece o relato de uma foto que aconteceu, menos ela parece gerada.
Por que ele funciona, linha por linha
- 1
A luz é o flash, e só ele.
Harsh direct flash, true-to-life colors, the background falling into dark. Flash de celular achata o rosto, deixa a pele mais clara e joga o fundo no preto. Ninguém arruma a luz de um flash, então ele é a luz mais honesta que existe. - 2
O riso tem motivo.
A flash photo her friend took across the booth... right after she finished telling a story. Uma amiga do outro lado da mesa, logo depois de eu contar uma história. Riso sem motivo sai com cara de propaganda de pasta de dente. - 3
O flash deixa marca.
Uma sombra dura na parede atrás do meu ombro e um brilho no nariz e na testa. O prompt pede os dois, porque é o que todo flash de verdade faz. Olha na foto, tá lá.
- 4
O rosto tá no fim da noite.
A little mascara and lip color worn off at the end of the night. O rímel e o batom já meio gastos. Maquiagem perfeita à meia-noite não existe. - 5
Perto demais, de propósito.
A little too close. A amiga não enquadra direito, e o rosto fica grande, ocupando a metade de cima. Foto bem enquadrada demais parece ensaio. - 6
Nada com letra.
O copo é de água, liso, sem logo. O neon do fundo tá borrado demais pra ler. Letra é onde a IA mais erra, então tudo que teria texto fica sem marca ou fora de foco.
- 7
O rosto não tá escrito.
Repara que o prompt não fala do meu olho, do meu nariz, da minha boca. A cara vem só da foto anexada. O parágrafo que começa com
Use the attached reference photoé o mesmo em todo prompt meu, palavra por palavra, e só repete o que costuma escapar: o cabelo e as duas argolas. A cena muda inteira, esse bloco não. É ele que faz toda foto ser a mesma pessoa.
E no vídeo, a mesma lógica
No vídeo vale tudo isso, com duas coisas a mais.
A primeira: o vídeo começa de uma foto que já deu certo. Você gera a foto, confere, e só depois pede pra ela se mexer. Vídeo feito só com texto tem que inventar a cara, o lugar e a luz de uma vez, e erra pelo menos um.
A segunda: a câmera continua tendo dono. Alguém tá filmando, a mão balança um pouco, e a ação é pequena, de poucos segundos. Um gole, uma olhada pro lado, o vento no cabelo. Quanto menos coisa acontece, mais tempo o rosto continua o mesmo.
O resultadoA mesma cara em todo lugar
Todas essas saíram do mesmo jeito: uma foto de referência anexada, e um prompt que descreve a foto, nunca o meu rosto.
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